04/05/2006

Oiçam ALTO! por favor este excelente "Futures" (mp3). Featuring Zero7 & José Gonzalez

03/05/2006

Porque não me vês

Meu amor adeus
Tem cuidado
Se a dor é um espinho
Que espeta sozinho
Do outro lado
Meu bem desvairado
Tão aflito
Se a dor é um dó
Que desfaz o nó
E desata um grito
Um mau olhado
Um mal pecado
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Porque não me vês
Maresia
Se a dor é um ciúme
Que espalha um perfume
Que me agonia
Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar
Noutro caminho
Quase a espraiar
Quase a afundar
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono

Fausto

28/04/2006


Can’t she see that she grieves
Just because she’s been blindly deceived By her shame?

Excerto de "For the sake of the Song",
Townes Van Zandt . Para enorme regozijo d'Alcofa, exibe-se no Indie Lisboa,
um documentário sobre o homem que Bob Dylan considera o melhor escritor
de canções que a América alguma vez conheceu. Felizmente para nós, hoje na Av. de Roma.

27/04/2006

"Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história sem fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm a força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção…”

Chega finalmente a Lisboa, a adaptação do romance de Possidónio Cachapa - MATERNA DOÇURA -, pelo grupo de teatro Trigo Limpo/ACERT. Com uma digressão feliz por muitas localidades, o espectáculo poderá ser visto no Teatro Cinearte (em Santos), nos dias 28, 29 e 30 de Abril e 1 de Maio.



Pierre Bonnard, "Le Bain"

"E eu desejaria levantar-me levemente
sobre as paisagens que se enchem de chuva apaixonada.
Desejaria estar em cima, no meio da alegria,
e abrir os dedos tão devagar que ninguém sentisse
a melancolia da minha inocência.
Tanto desejaria ser destruído por um lento milagre interior."

Herberto Helder

25/04/2006

My Morning Jacket - "Lowdown"(mp3)

Lowdown, cheatin, aint no need for repeatin,
so love, dawg, cant ye see?
That you never gotta fight with me.
Hurtin. Beatin. Aint no need for repeatin,
so love dawg cant ye see, that you never gotta bleed for me.
Chancing, glancing, sho nuff mood for romancing
so love dawg cant ye see that you only gotta dance with me


25 de Abril Sempre!

24/04/2006


Frankel - "Don't Leave" (mp3)

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O "Tocar de Ouvido" consiste num encontro de tocadores de
instrumentos tradicionais, que junta os tocadores mais velhos
com músicos de novas gerações. Acontece no Espaço Celeiros
em Évora este fim-de-semana!

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"Manic Moondays" de Martin Schiffter,
exibido no Indie Lisboa


Guy Bourdin

10/04/2006

As folhas da cerejeira

Por cima de Casteldeci há uma igreja sem tecto e as paredes têm entre os braços uma cerejeira que cresceu no chão e cujos ramos tocam o céu.
Em Abril floresce e a brancura desliza da árvore até ao fundo do vale, depois nascem os frutos e comem-nos os melros e os pássaros bravos; entretanto as folhas ficam vermelhas e uma de cada vez caem no chão.
Se alguém assoma àquelas paredes com o desejo de pedir um milagre e há uma folha que cai nesse momento é sinal que de lá de cima terá uma resposta boa.
Tarkovsky passou lá em Novembro e precisava de fazer um pedido grande, mas as folhas já tinham caído todas e serviam de cama a duas ovelhas que dormiam.

Tonino Guerra, O livro das igrejas abandonadas

CHAMO
a cada ramo
de árvore
uma asa

e as árvores voam.

Mas tornam-se mais fundas
as raízes da casa,
mais densa

a terra sobre a infância.

É o outro lado
da magia.


Carlos de Oliveira

07/04/2006

O tio Artur estava passo. Olhava-me, eu olhava-o, e agora era ainda o intervalo, aí com alguns três a três.
“Deixam-no sozinho”, fez o tio.
“A mim”, admirei-me. “Atão o meu pai só me deixa sair consigo!”
“Gaita”, fez o tio diferentemente. “ Não és tu, é o Peyroteo.”
São vidas, pensei.
Vidas de craque. Pois na segunda parte a máquina carburou ainda melhor, aplicou desconhecidas novas gambetas na malta, fingiu que corria, driblava, não driblava, e sempre bumba, bumba, bumba prà baliza da académica, cujo n.º 1 (neste século recuado não havia números) se punha a rezar a um deus desconhecido, como o protagonista do John Steinbeck. Cinco a cinco! Há lá resultados destes no futebolinha coisa pouca de 1972?
Voltei para casa contente: contente por ter visto o Peyroteo, aquela super-máquina de jogar W bola. E triste: triste por chegar ao quintal do Luís marques, agarrar a mini-borracha, ensaiar uma volta das dele (Peyroteo) e não ser capaz. Ombro aqui, joelho acolá. Sempre o malfadado do muro a barrar-me o entreinamento…
Ó miúdos, era só um. Era só um e chamava-se Peyroteo. Fernando. Ao menos isso: como o craque.
De onde esta anotação no caderninho – “sensacionais, ele e eu”. Já se mentia em 40 e tal.


[de Memórias de um Craque (VIII – De como no Loreto o Peyroteo fez trinta por uma linha e ojogo acabou, pasmai ó miúdos de hoje, empatado cinco a cinco), Assírio & Alvim, 2005 – Fernando Assis Pacheco]

Desejo da Alcofa : que amanhã haja Peyroteo no Alvalade XXI!

06/04/2006

Os pássaros

Fico-me a olhar os pássaros.
É o mole, longo, estirado desenho dos voos, a
linha bamba dos voos, ora cortada, sacada, ora
retrocedida e inversa, oposta e repetida... ou a
figura negra e viva dos pássaros que mais nos
interessa?
Que olhamos com mais gosto?
Que se fixa mais impressionante no plasma da
Nossa mente?

Pintores e poetas, que escolher?
Formas ou linhas?
Linhas, tremor, movimento, agitação do espírito?
Formas, corpos, envasamentos?

Os pássaros indiferentes não param...
Amigos!
Ondeiam, sobem, vão e retrocedem, infatigavel-
Mente retrocedem...


[de Outono Havias de Vir (Latente Triste), Seara Nova, 1937 - Irene Lisboa com o pseudónimo João Falco]


Veio desta praça: "Poesia distribuída na rua"

04/04/2006

A Bird Came Down

A bird came down the walk:
He did not know I saw;
He bit an angle-worm in halves
And ate the fellow, raw.

And then he drank a dew

From a convenient grass,
And then hopped sidewise to the wall
To let a beetle pass.

He glanced with rapid eyes
That hurried all abroad,--
They looked like frightened beads, I thought;
He stirred his velvet head

Like one in danger; cautious,

I offered him a crumb,
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home

Than oars divide the ocean,

Too silver for a seam,
Or butterflies, off banks of noon,
Leap, splashless, as they swim.

Emily Dickinson



Gustav Klimt : "Apfelbaum I" (1912)


Veio da praça um dvd novo:
JEUX D`ENFANTS de Yann Samuell,
"Cape pas cape..."