9 de Fev de 2007
17 de Jan de 2007
Posted by Tomilho at 12:38 1 comments Links to this post
27 de Dez de 2006
19 de Dez de 2006
E os 5 melhores discos de 2006 são...
5- Maritime: "We, The Vehicles"
... Calm[MP3, 3.8MB, 160kbps]
4 - Midlake - "The Trials Of Van Occupanther"
... Roscoe [MP3, 6.7MB, 192kbps]
3 - The Decembrists - "The Crane Wife"
...Yankee Bayonet (I Will Be Home Then) [MP3]
2º. The Elected - "Sun, Sun, Sun"
... Not Going home [MP3, 5.4MB, 160kbps]
1º. Built to Spill - "You in Reverse"
... Conventional Wisdom [MP3]
Posted by Tomilho at 15:28 0 comments Links to this post
13 de Dez de 2006
30 de Nov de 2006
28 de Nov de 2006

Da carta de Cesariny a Pacheco:
(...)A tua verdade histórica é a merda. Diferente da minha neste ponto: é possível que a minha vida tenha dado cabo de mim, ou eu cabo de mim nela; o amor que tenho à vida fez-me sempre evitar dar cabo da vida dos outros. Não "enterrei" ninguém sempre até á última quis a vida dos outros. Tu incluído. A tua pressa em dar cabo dos outros, diz-me que vida é. E que espécie de cabo. (...) "O senhor não é palhaço, o senhor é escritor". estas linhas do Lisboa, cantei-tas várias vezes, em vários tons. Soube isso no teu texto dos Doutores, Salvação e Menino, que continua a ser para mim o texto lúcido que, em literatura, a época forneceu. Soube-o de novo, com imensa alegria, na publicação do Teodolito. Diante de um texto tal hão-de curvar-se, sem querer, todos os merdas do literário lisboeta. E, o que é mais: pela primeira vez encontrava a tua humanidade, a tua forma natural de sorrir - tens o sorriso mais bondoso, espanta-te, de quantos vi a tentar abrir lábios: sai quase sempre careta, lá diz o Lautréamont - diante das calamidades. Melhor, eras o homem que se confessava isso, homem, e em que mundo assim, de que maneira! Nada a ver com os teus papelinhos acusatórios, de boa ou má esguelha, para a vida ou para a morte dos outros. Creio que não piorei o texto publicando-o com as "emendas", ou "chaves" que tu próprio aceitaste. Acho mesmo que ficou melhor, o que decerto te ofende. Outros textos tens parido de igual, ou maior altura? Este o Luiz Pacheco que conheço, o único que de facto existe e posso amar, mesmo conservando na gaveta, como conservo, e não esquecendo, não são para esquecer, feridas abertas. Em corpo frágil.
Posted by Tomilho at 16:09 1 comments Links to this post
10 de Nov de 2006
Regata
Era numa cidade meridional
era o dia da dura prova.
Barcos acolhiam jovens remadoras.
O timoneiro aquecia as mãos na bandeira
e apresentava o homen do sinal:
fumador de charutos,
dobrava os polegares
e pintava de amarelo cabelos em extinção.
Ele disparava
e as remadoras, em barcos rivais, inclinavam-se,
porém sem mergulhar os remos.
"À tarde somos incapazes
não iremos agora magoar a àgua,
talvez uma saída até ao navio histórico
o da tinta sem nome de cor".
Solidários, os descarregadores deixavam cair
caixotes sobre o público.
As remadoras pontapeavam frutos espalhados pelo cais
em "Visões e Demonstrações", Maria Teresa Duarte Martinho
Posted by Tomilho at 17:05 1 comments Links to this post
31 de Out de 2006
Por el mole de Abigal (La cumbia del Chocolate)
Cuentam que en Oaxaca, se toma el mezcal con cafe
Dicem que la hirba, le cura la mala fe
A mi me gusta el mole, mi soledad me va a moler
Mi querida Soledad, me va a guisar um moilito.
Por el cielo de Monterrey, de noche sueño contigo
Se muele con cacahuate
Se muele tambien el pan
Se muele al almendra seca
Se muele el chile tambien la sal
Se muele ese chocolate
Se muele la canela
Se muele pimienta y clavo
Se muele la molendera
Cuentam que en Oaxaca con agua es el chocolate
Dicem que en la fiesta todito se ha de quemar
Para que haga su manda por la passion de Soledad
Lila Downs
Um alegre tributo à gastronomia mexicana e um dos seus pratos mais populares e significantes. A letra faz referência à preparação do molho (salsa) de chocolate que se usa no "Mole", elemento central em muitas festas e eventos comunitários ...
Posted by Tomilho at 13:23 0 comments Links to this post
25 de Out de 2006
Perigo de Vida
É grande o risco da palavra no tempo
maior mesmo talvez que no mar
Eu fui a margem do dia despedir um amigo
e não houve no cais
iniciativa verbal que edificasse
uma só tenda para o nosso coração
Éramos peregrinos
que deixam a saudade de turistas
ausentes na rua de Outono
Morríamos contra a curva dos dias
a morte rotativa e provisória
Tivesse a própria palavra lábios
e nenhum clima poderia
arrefecer-lhe o coração
Tivesse ela lábios e não seria
tão grave o risco no tempo e no mar
Ruy Belo
Posted by Tomilho at 11:49 0 comments Links to this post
24 de Out de 2006
17 de Out de 2006
13 de Out de 2006
Da rebelia adâmica, e o fruto
Da árvore interdita, e mortal prova
Que ao mundo trouxe morte e toda a dor,
Com perda do Éden, ‘té que homem maior
Nos restaure, e o lugar feliz nos ganhe,
Canta, celestial Musa, que no cume
Do Orebe, ou do Sinai lá, inspiraste
O pastor que ensinou a casta eleita,
De como no princípio céus e terra
Se ergueram do Caos; (…)
John Milton, in Paraíso Perdido (tradução Daniel Jonas)
John Milton nasceu em Londres, no ano de 1608. Cerca de 59 anos mais tarde, totalmente privado de visão, este autor deu a conhecer os dez livros que compõem Paradise Lost. As reacções por parte dos críticos não tardaram; hoje, é inquestionável o estatuto canónico de uma das obras máximas da literatura mundial. Para isso, terá contribuído Harold Bloom que ajudou a compreender Paradise Lost como um texto capaz de guiar o leitor até à verdade e à libertação através de 10565 versos: "O que faz com que O Paraíso Perdido seja único é a sua surpreendente mistura de tragédia shakespeariana, épica virgiliana e profecia bíblica". (Harold Bloom, 1994)
Daniel Jonas (Porto, 1973) é também autor do livro de poesia Os Fantasmas Inquilinos (2005), publicado pelos Livros Cotovia.
Posted by Tomilho at 17:41 0 comments Links to this post
11 de Out de 2006
27 de Set de 2006
18 de Ago de 2006
Posted by Tomilho at 11:19 6 comments Links to this post
8 de Ago de 2006
My Dear Someone
I wanna go all over the world,
And start living free
I know that there's somebody who,
Is waiting for me
I'll build a boat, steady and true
As soon as it's done,
I'm gonna sail along in a dream,
Of my dear someone
One little star, smilin' tonight
Knows where he lies
Stay, little star, steady and bright,
To guide me afar
Rush, little wind, over the deep,
For now I've begun
Hurry and take me straight into the arms,
Of my dear someone
Hurry and take me into the arms,
Of my dear someone
Gillian Welch
Uma canção perfeita de uma cauntautora fascinante, de quem Emmylou Harris disse: 'Gillian writes with what at first seems to be childlike simplicity, but on closer listening, you realize you are in the presence of an old soul, one who knows the blue highways of the heart. Aqui uma entrevista ao "The New Yorker", com delicioso título "The Ghostly Ones".
Posted by Tomilho at 12:53 1 comments Links to this post
20 de Jul de 2006
18 de Jul de 2006
17 de Jul de 2006
14 de Jul de 2006

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte
e em que o sono parecia disposto a não vir
fui estender-me na praia sozinho ao relento
e ali longe do tempo acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo
e uma cara sardenta encheu-me o olhar
ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era
ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar
Sou a estrela do mar
só a ele obedeço, só ele me conhece
só ele sabe quem sou no princípio e no fim
só a ele sou fiel e é ele quem me protege
quando alguém quer à força
ser dono de mim
Não sei se era maior o desejo ou o espanto
mas sei que por instantes deixei de pensar
uma chama invisível incendiou-me o peito
qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços
inscrevemos no espeço um novo alfabeto
já passaram mil anos sobre o nosso encontro
mas mil anos são pouco ou nada para a estrela do mar
Posted by Tomilho at 16:34 2 comments Links to this post
13 de Jul de 2006

E já passou um ano... uma das nossas praças de sempre!
Posted by Tomilho at 12:23 1 comments Links to this post
12 de Jul de 2006
Alguém diz com lentidão:
" Lisboa, sabes..."
Eu sei.
É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus
e degraus até ao rio.
Posted by Tomilho at 15:26 2 comments Links to this post
5 de Jul de 2006
Há Blog novo na Praça! Chama-se Alfa Arroba e promete fazer estragos nos pés!
Posted by Tomilho at 17:06 1 comments Links to this post
O verdadeiro lugar de nascimento é aquele em que se lançou pela primeira vez um olhar inteligente sobre si próprio: as minhas primeiras pátrias foram os livros.
"Memórias de Adriano", Marguerite Yourcenar
Posted by Tomilho at 15:47 3 comments Links to this post
4 de Jul de 2006
30 de Jun de 2006

"Sansa" é nome de filme (o autor, Siegfried, chama-lhe ensaio) que vai à Praça.
É uma obra genial, uma espécie de poesia da errância que nos faz viajar através de um super herói marginal e incrivelmente simpático. Rodado em França, Espanha, Itália, Hungria, Rússia, India, Japão, Egipto, Portugal, Gana e Burkina Faso... paisagens de fronteiras.
Sansa é também um personagem, um homem livre, um Corto Maltese dos nossos dias. Ele ama as mulheres e as estórias de amor. A câmara acompanha-o, ele anda a pé, de comboio, deambula, observa o mundo. Sansa é uma sinfonia de rostos, de reencontros memoráveis... há sempre a polícia, o chefe de orquestra e o violino de Ivry Gitils (Bartok, Debussy, Ravel...) a guiar os seus passos. Sansa não passou nos cinemas portugueses, mas pode ser encontrado numa praça qualquer. Cabe a nós descobri-lo. E, se por acaso der com ele, aproveite para dar dois dedos (gordos) de conversa.
Posted by Tomilho at 12:32 2 comments Links to this post
28 de Jun de 2006
Não me leve a mal
Me leve à toa pela última vez
A um quiosque, ao planetário
Ao cais do porto, ao paço
O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo
Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça
Da sua cortiça
Não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim?
Pense como eu vim de leve
Machuquei você de leve
E me retirei com pés de lã
Sei que o seu caminho amanhã
Será um caminho bom
Mas não me leve
Não me leve a mal
Me leve apenas para andar por aí
Na lagoa, no cemitério
Na areia, no mormaço
O meu coração, meu coração
Meu coração parece que perde um pedaço, mas não
Me leve a sério
Passou este verão
Outros passarão
Eu passo
"Leve", Carlinhos Vergueiro - Chico Buarque
E porque o Chico Buarque continua a dar-nos grandes canções e a fazer-nos sonhar com amores adolescentes no Rio... este Bolero/Canção tem rolado muito cá pela praça.
Posted by Tomilho at 17:27 0 comments Links to this post

Cai a tarde no Arquipélago, e um Bijagó recria-se com algumas tartarugas bebés... apenas uma em cada mil consegue atingir o estado adulto.
Posted by Tomilho at 16:22 1 comments Links to this post
20 de Jun de 2006
19 de Jun de 2006

Nicky: There's two of yer! Who's he?
Artful Dodger: New pal.
Nicky: Where's he from?
Artful Dodger: Greenland.
"Oliver Twist", Roman Polansky
Posted by Tomilho at 17:07 0 comments Links to this post
16 de Jun de 2006
14 de Jun de 2006
Forced Entertainment - "The World in Pictures"
Somewhere, amid the frequent downfalls of fire-proofed theatrical snow, the ragbag of dodgy costumes, the swirling music and the improvised scenery there’s a bold attempt to tell the Story of Mankind.
Complete with cavemen in bad wigs and over-enthused performances this epic narrative sets the tone with its beginning – a recreation, in the form of a ‘volcano dance’ – of a scene from the 1970’s movie depicting prehistoric life; One Million Years BC. Attempting to steer us from cave to shopping mall this ill-advised version of the Story of Man proceeds to unravel amidst a storm of variably inaccurate advice and lewd interjections from the narrator’s disruptive ‘chorus’ of colleagues.
Omitting much more than it can ever find words or time to describe The World in Pictures finds its shambolic, mock grandiose and comical way from way back then to right here and now, somewhere along the way finding an articulacy and a pathos that its stumbling beginnings do not hint at.
By turns a disarmingly low-key thought-experiment which slowly takes us to another place and an illustrated lecture on the contents of the contemporary world, The World in Pictures deftly moves beyond the confines of its narrative, to touch on memory, mortality, the past, the future and the intricate detail of our own lives.
Posted by Tomilho at 16:43 1 comments Links to this post
9 de Jun de 2006

Saúda-se o regresso de um velho amigo à blogoesfera.
Vamos ficar atentos ao novo Timor ba nafatin
Posted by Tomilho at 15:52 0 comments Links to this post
7 de Jun de 2006

Aviso geral à navegação: a Alcofa vai-se pôr em viajem,
rumo ao Vale do Pati, Parque Nacional da Chapada Diamantina,
Bahia, Brasil.
Posted by Tomilho at 15:41 2 comments Links to this post
5 de Jun de 2006
"Discotheater" - Teatro Praga
Discotheater é um espectáculo a cavalo entre o teatro e o que é do teatro. Entre a História e o zeitgeist (espírito do tempo). Entre teorias e factos. Entre arte, tradição e autoridade. Entre arte correcta e incorrecta. Entre o meio através do qual se escreve e o modo de o praticar. Entre improvisação e perícia. Entre o sacrifício romântico e o triunfo doloroso. Entre wahn und witz (ilusão e presença de espírito). Entre o dionisíaco e o apolíneo.
Uma discoteatralização contínua. Uma linha de montagem de imagens e de rasgos explosivos de mestria. Uma phantasmagoria. Um não-lugar discoteatral povoado de mestres que paradoxalmente ensinam a sua mestria não ensinando, mestres que se autoproclamam como tal. Tudo e todos à espera da luz. Do aufklärung (iluminação). It sounded so old – yet was so new. Soava tão velho, mas ao mesmo tempo era tão novo. Nos tempos que correm, a procura do novo deriva de uma consciência que perdeu o pé perante o real, pois parece ser uma deriva quixotesca. Uma mestria impraticável. Um desejo do que não existe. Uma coisa que não há. Por isso, um gatilho para ensaiar uma continuação. E se nos lembrarmos que já caíram folhas secas de uma teia, que já houve uma tempestade de produtos alimentares no palco, que já houve três mil convidados para ver uma galeria vazia, que já irromperam cavalos pela cena, que já foram confeccionadas refeições quentes servidas por actores-músicos, que já se construiu um cenário labiríntico por onde os espectadores tinham de encontrar o seu caminho, que já se fez um chão-canteiro repleto de cravos vermelhos, o que nos restará a nós? Só mesmo continuar.
Imagem de sonho: durante o espectáculo, cairão imensos copos por essas pistas fora, um deles manchará um vestido que cobre um corpo que não o previra. Essa pessoa pensará que preferiria ter nódoas negras espalhadas pelo corpo encobertas por um vestido imaculado.
No Discotheater sentir-nos-emos como se estivéssemos dentro de um sonho. Tivemos um sonho maravilhoso que mal nos atrevemos a pensar nele, pois temos medo de o ver desaparecer. É essa precisamente a nossa missão: interpretar e fixar sonhos. Não haverá nada mais do que isso. Vamos contar-vos o nosso sonho matinal. E esperamos acordar ao mesmo tempo. Era assim que gostávamos que fosse.
Teatro Praga, Março de 2006
Posted by Tomilho at 11:20 4 comments Links to this post
1 de Jun de 2006
29 de Mai de 2006
Antónia Font! Que guay, que guay, que extraterrestres más originales!
Posted by Tomilho at 15:47 8 comments Links to this post
12 de Mai de 2006

N'Alcofa os fabulosos Clem Snide, uma banda de Brooklyn com um nome retirado do "Naked Lunch" de William S. Burroughs. E para nos alegrar o dia oiçam este Fill Me With Youre Light (mp3).
Posted by Tomilho at 17:57 10 comments Links to this post
Eu sou testemunha de uma época ultrapassada, que conta histórias povoando-as com as suas experiências, as suas recordações, as fábulas que lhe foram transmitidas na infância. A minha vida está cada vez mais desligada do presente. Em Córdova, desde 1989, na sequência de uma exposição e do portfolio Corto em Cordoba, editado pelos meus amigos italianos da libraria parisiense Tour de BabeI, o município cede-me uma residência muito antiga da luderia, o velho bairro judeu. Lá organizo festas, reunindo todo tipo de amigos, desde os santos ébrios às putas moralizantes: gosto de reunir gente diversa, e de provocar assim situações originais. Convido os ciganos, que dançam e tocam uma música que remonta à Idade Média. Em Córdova, não há como os ciganos para poder dar um espectáculo de romanças sefarditas.
Algumas das pessoas que convido são consideradas importantes: homens de negócios apressados, editores sempre entre dois aviões, entre dois contratos. Observam e escutam esse espectáculo, e dizem-me que aquela é que é a verdadeira vida. Eles começam a interrogar-se sobre o seu modo de vida, sobre o interesse real do que fazem, e já não querem saber do trabalho. Essas festas são uma viagem ao passado, uma viagem estética em busca da beleza perdida. E graças a essas festas, a beleza do passado faz-se de novo presente. Nessa música sefardita, no olhar dessa bela judia renasce a luderia de Córdoba. Nessas ciganas de sangue judaico, é Rebeca que está de regresso a Córdova, e Rebeca é sempre bela.

Convoco também as descendentes dos Almorávidas berberes, elas vestem-se como outrora, elas dançam, elas cantam, e através delas Fátima é sempre bela. Lá fora, está muito calor, mas aqui o pátio cheio de sombra está florido todo o ano. Ouve-se o repuxo de água, um cigano toca guitarra, uma nuvem passageira confere uma nova tonalidade aos azulejos. As rolas levantam voo das laranjeiras que rodeiam a mesquita. Essa maravilha de pedra é trabalhada como um bordado, cujos motivos fossem fechaduras: falta apenas a chave para abrir a porta do paraíso muçulmano. No pavimento do pátio -um tapete mineral -as jovens dançam, pavimento do pátio -um tapete mineral -as jovens dançam, e Rebeca e Fátima são sempre belas.
Hugo Pratt, “O desejo de ser inútil”
Posted by Tomilho at 17:27 7 comments Links to this post
10 de Mai de 2006
Porque há coisas que vale a pena conhecer e divulgar, a Pé de Chicória é um espaço que dá a conhecer o novo artesanato feito por duas mulheres de Castro Verde: na cerâmica Vanda Lopes, trabalha as cores e Paula Maurício os tecidos. São sonhos, um conjunto de formas, cores e materiais que dão corpo ao novo artesanato feito no Alentejo.
Posted by Tomilho at 11:51 3 comments Links to this post
9 de Mai de 2006
Árvores que dão pássaros
Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem com a poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
Ruy Belo, "Homem de Palavra[s]" (1970)
Posted by Tomilho at 10:50 6 comments Links to this post
8 de Mai de 2006
Quando tu vens ao meu encontro
sorrindo
Rosa precipitada
antigo Mar Vermelho
meu coração
abre-se
in "Cerejas", Ana Hatherly
Posted by Tomilho at 15:32 3 comments Links to this post
“A Vida nos Rios de Portugal – Peixes & Companhia”
Até ao dia 9 de Julho está em exibição na sala Polivalente do Aquário Vasco da Gama uma exposição temporária com o objectivo de divulgar a fauna dos rios de Portugal. Em aquários que recriam seis habitats diferentes, típicos dos rios portugueses, poderá observar espécies vivas de peixes, acompanhados das espécies mais comuns de anfíbios e répteis.
Pretende-se assim alertar para a riqueza piscícola dos nossos rios e sensibilizar os cidadãos para a conservação do inestimável património biológico dos cursos de água. Esta exposição é montada com a colaboração da Unidade de Eco-etologia do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) que preparou também um site onde poderá encontar informação detalhada sobre a riqueza biológica dos cursos de água existentes em Portugal. + informação em http://www.peixesdeportugal.com.
Posted by Tomilho at 15:19 5 comments Links to this post
4 de Mai de 2006
Oiçam ALTO! por favor este excelente "Futures" (mp3). Featuring Zero7 & José Gonzalez
Posted by Tomilho at 12:47 7 comments Links to this post
3 de Mai de 2006
Porque não me vês
Meu amor adeus
Tem cuidado
Se a dor é um espinho
Que espeta sozinho
Do outro lado
Meu bem desvairado
Tão aflito
Se a dor é um dó
Que desfaz o nó
E desata um grito
Um mau olhado
Um mal pecado
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Porque não me vês
Maresia
Se a dor é um ciúme
Que espalha um perfume
Que me agonia
Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar
Noutro caminho
Quase a espraiar
Quase a afundar
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Fausto
Posted by Tomilho at 14:50 3 comments Links to this post
28 de Abr de 2006

Can’t she see that she grieves
Just because she’s been blindly deceived By her shame?
Excerto de "For the sake of the Song",
Townes Van Zandt . Para enorme regozijo d'Alcofa, exibe-se no Indie Lisboa,
um documentário sobre o homem que Bob Dylan considera o melhor escritor
de canções que a América alguma vez conheceu. Felizmente para nós, hoje na Av. de Roma.
Posted by Tomilho at 15:40 8 comments Links to this post
27 de Abr de 2006
"Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele. Esta é uma história sem fronteiras. E de reencontros. Os homens têm coração de mulher. Deixam-se amar em silêncio. As mulheres têm a força de homens. São elas que mais fazem avançar a acção…”
Chega finalmente a Lisboa, a adaptação do romance de Possidónio Cachapa - MATERNA DOÇURA -, pelo grupo de teatro Trigo Limpo/ACERT. Com uma digressão feliz por muitas localidades, o espectáculo poderá ser visto no Teatro Cinearte (em Santos), nos dias 28, 29 e 30 de Abril e 1 de Maio.
Posted by Tomilho at 16:45 2 comments Links to this post
"E eu desejaria levantar-me levemente
sobre as paisagens que se enchem de chuva apaixonada.
Desejaria estar em cima, no meio da alegria,
e abrir os dedos tão devagar que ninguém sentisse
a melancolia da minha inocência.
Tanto desejaria ser destruído por um lento milagre interior."
Posted by Tomilho at 14:45 2 comments Links to this post
25 de Abr de 2006
My Morning Jacket - "Lowdown"(mp3)
Lowdown, cheatin, aint no need for repeatin,
so love, dawg, cant ye see?
That you never gotta fight with me.
Hurtin. Beatin. Aint no need for repeatin,
so love dawg cant ye see, that you never gotta bleed for me.
Chancing, glancing, sho nuff mood for romancing
so love dawg cant ye see that you only gotta dance with me
Posted by Tomilho at 19:31 1 comments Links to this post
24 de Abr de 2006

O "Tocar de Ouvido" consiste num encontro de tocadores de
instrumentos tradicionais, que junta os tocadores mais velhos
com músicos de novas gerações. Acontece no Espaço Celeiros
em Évora este fim-de-semana!
Posted by Tomilho at 18:14 47 comments Links to this post

"Manic Moondays" de Martin Schiffter,
exibido no Indie Lisboa
Posted by Tomilho at 18:10 2 comments Links to this post
12 de Abr de 2006
Posted by Tomilho at 19:27 2 comments Links to this post
10 de Abr de 2006
As folhas da cerejeira
Por cima de Casteldeci há uma igreja sem tecto e as paredes têm entre os braços uma cerejeira que cresceu no chão e cujos ramos tocam o céu.
Em Abril floresce e a brancura desliza da árvore até ao fundo do vale, depois nascem os frutos e comem-nos os melros e os pássaros bravos; entretanto as folhas ficam vermelhas e uma de cada vez caem no chão.
Se alguém assoma àquelas paredes com o desejo de pedir um milagre e há uma folha que cai nesse momento é sinal que de lá de cima terá uma resposta boa.
Tarkovsky passou lá em Novembro e precisava de fazer um pedido grande, mas as folhas já tinham caído todas e serviam de cama a duas ovelhas que dormiam.
Tonino Guerra, O livro das igrejas abandonadas
Posted by Tomilho at 15:58 2 comments Links to this post
CHAMO
a cada ramo
de árvore
uma asa
e as árvores voam.
Mas tornam-se mais fundas
as raízes da casa,
mais densa
a terra sobre a infância.
É o outro lado
da magia.
Carlos de Oliveira
Posted by Tomilho at 12:11 2 comments Links to this post
7 de Abr de 2006
O tio Artur estava passo. Olhava-me, eu olhava-o, e agora era ainda o intervalo, aí com alguns três a três.
“Deixam-no sozinho”, fez o tio.
“A mim”, admirei-me. “Atão o meu pai só me deixa sair consigo!”
“Gaita”, fez o tio diferentemente. “ Não és tu, é o Peyroteo.”
São vidas, pensei.
Vidas de craque. Pois na segunda parte a máquina carburou ainda melhor, aplicou desconhecidas novas gambetas na malta, fingiu que corria, driblava, não driblava, e sempre bumba, bumba, bumba prà baliza da académica, cujo n.º 1 (neste século recuado não havia números) se punha a rezar a um deus desconhecido, como o protagonista do John Steinbeck. Cinco a cinco! Há lá resultados destes no futebolinha coisa pouca de 1972?
Voltei para casa contente: contente por ter visto o Peyroteo, aquela super-máquina de jogar W bola. E triste: triste por chegar ao quintal do Luís marques, agarrar a mini-borracha, ensaiar uma volta das dele (Peyroteo) e não ser capaz. Ombro aqui, joelho acolá. Sempre o malfadado do muro a barrar-me o entreinamento…
Ó miúdos, era só um. Era só um e chamava-se Peyroteo. Fernando. Ao menos isso: como o craque.
De onde esta anotação no caderninho – “sensacionais, ele e eu”. Já se mentia em 40 e tal.
[de Memórias de um Craque (VIII – De como no Loreto o Peyroteo fez trinta por uma linha e ojogo acabou, pasmai ó miúdos de hoje, empatado cinco a cinco), Assírio & Alvim, 2005 – Fernando Assis Pacheco]
Desejo da Alcofa : que amanhã haja Peyroteo no Alvalade XXI!
Posted by Tomilho at 16:30 1 comments Links to this post
6 de Abr de 2006
Os pássaros
Fico-me a olhar os pássaros.
É o mole, longo, estirado desenho dos voos, a
linha bamba dos voos, ora cortada, sacada, ora
retrocedida e inversa, oposta e repetida... ou a
figura negra e viva dos pássaros que mais nos
interessa?
Que olhamos com mais gosto?
Que se fixa mais impressionante no plasma da
Nossa mente?
Pintores e poetas, que escolher?
Formas ou linhas?
Linhas, tremor, movimento, agitação do espírito?
Formas, corpos, envasamentos?
Os pássaros indiferentes não param...
Amigos!
Ondeiam, sobem, vão e retrocedem, infatigavel-
Mente retrocedem...
[de Outono Havias de Vir (Latente Triste), Seara Nova, 1937 - Irene Lisboa com o pseudónimo João Falco]
Posted by Tomilho at 15:50 1 comments Links to this post
4 de Abr de 2006
A Bird Came Down
A bird came down the walk:
He did not know I saw;
He bit an angle-worm in halves
And ate the fellow, raw.
And then he drank a dew
From a convenient grass,
And then hopped sidewise to the wall
To let a beetle pass.
He glanced with rapid eyes
That hurried all abroad,--
They looked like frightened beads, I thought;
He stirred his velvet head
Like one in danger; cautious,
I offered him a crumb,
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home
Than oars divide the ocean,
Too silver for a seam,
Or butterflies, off banks of noon,
Leap, splashless, as they swim.
Emily Dickinson
Posted by Tomilho at 18:04 3 comments Links to this post
Posted by Tomilho at 15:19 0 comments Links to this post
31 de Mar de 2006
30 de Mar de 2006
"O Herói ", de Zézé Gamboa, regressa amanhã a Lisboa para a abertura do festival de cinema africano no auditório do Instituto Franco-Português. "O Herói", venceu o prémio do júri para melhor filme dramático estrangeiro na edição do ano passado do Festival Sundance nos EUA, considerado um dos mais importantes certames a nível mundial, dedicado ao cinema independente.
Posted by Tomilho at 16:14 1 comments Links to this post
29 de Mar de 2006
27 de Mar de 2006
23 de Mar de 2006
22 de Mar de 2006
21 de Mar de 2006

Procuro o lento cimo da transformação
Um som intenso. O vento na árvore fechada
A árvore parada que não vem ao meu encontro.
Chamo-a com assobios, convoco os pássaros
E amo a lenta floração dos bandos.
Procuro o cimo de um voo, um planalto
Muito extenso. E amo tanto
A árvore que abre a flor em silêncio.
Daniel Faria, “das mão como livros”
O desenho é do Leonard Cohen.
Posted by Tomilho at 19:47 2 comments Links to this post

Audrey Kawasaki - "Clarissa" , da exposição "The Disquieting Muses".
Posted by Tomilho at 12:56 1 comments Links to this post
14 de Mar de 2006
13 de Mar de 2006
Posted by Tomilho at 13:08 0 comments Links to this post
8 de Mar de 2006
Posted by Tomilho at 20:12 4 comments Links to this post
6 de Mar de 2006
1 de Mar de 2006
24 de Fev de 2006

Leonard Nimoy (o Mr. Spok do Caminho das Estrelas)
Posted by Tomilho at 12:51 1 comments Links to this post

Mangroves, Ord River, Australia
Geophot, Bernard Edmaier
Posted by Tomilho at 12:38 0 comments Links to this post
22 de Fev de 2006
21 de Fev de 2006
14 de Fev de 2006
10 de Fev de 2006
Posted by Tomilho at 18:45 1 comments Links to this post
Abalar: Sair, ir embora; Açudar: Atiçar; Ameigar: Fazer festas, enternecer-se; Amigar-se: Ligar-se, juntar-se, amance bar-se; Arrelampado: Admirado, assustado; Arribar: Erguer, levantar; Assomar: Aproximar-se para dentro de algo; Banzado: Ficar admirado; Bocanço: Beijo na boca; Bocar: Beijar na boca; Bochinha: Tratalmento carinhoso feito a cão; Bruteza: Excesso, brutalidade; Calhandrar: Bisbilhotar; Calhandrice: Bisbilhotice; Cobrão: Doença cutânea; Companha: Companhia; Courela: Terreno longo e estreito destinado a cultivo; Desencabecinar: Desafiar, provocar; Desensofrido: A sofrer; Esbornecado: Partido em pedaços; Esbornecar: Partir em pedaços, destruir; Esmarrir: Perder o vigor, desanimar; Espargates, Quando mal te: Quando meno esperes; Esquenturado: Quente, aquecido; Esquenturamento: Aquecimento; Estafonar: Gastar, estragar; Estrafego: Despedaçamento, confusão; Fanaco: Naco; Garganeiro: Que tem muita garganta; que fala muito e desacertado; que tem inveja de tudo o que da aos outros; Influído: Entusiamado; Infundido: Compenetrado, submerso; Invernia: Tempo frio e de chuvas abundantes, Inverno rigoroso. Maleita: Doença geralmente sem gravidade; Mangar: Brincar, fazer troça; Moquino: Palmada, porrada; Parança: Sossego, calma; Parodim espanhol: Galhofa, paródia; Prantar: Colocar, pousar; Quedos: Quietos, sossegados; Repeso: Arrependido; Rintando, Estar-se: Estar-se borrifando; Sarrafo: Pedaço de pau, ripa; Sezões: Febre intermitente ou cíclica; Síria: Ânimo; Solado: Escondido, quieto; Torrina do sol:
Torrinha do sol, pico do sol; Treco treco, meio gato malhado: Conversa fiada, Blá,blá,blá...
Há bocanço Na Invenção de Morel, na Sardinha Enlatada e na Bela Tertúlia. Por outros motivos, há treco treco, meio gato malhado, sem direito a bocanço em Maputo... a gente tem-se um aos outros e mais nada...(José Luís Peixoto)
Posted by Tomilho at 17:30 2 comments Links to this post
9 de Fev de 2006
Posted by Tomilho at 20:01 4 comments Links to this post

"Há muito tempo que nao via um pianista tão bom": Nicolai Lugansky
Posted by Tomilho at 18:54 0 comments Links to this post
2 de Fev de 2006
The Lomographic Society Intenational
Portland, EUA
Birmingham, RU
São Petersburgo, Russia
Taichung, Taiwan
Rio de Janeiro, Brasil 
Los Angeles, EUA
Lisboa, Portugal
Ganges, India
Posted by Tomilho at 12:25 2 comments Links to this post
1 de Fev de 2006

Sounds Like Fall - "Precious Morning" (Mp3)
Via The Acousticwoodlands
Posted by Tomilho at 12:28 2 comments Links to this post
26 de Jan de 2006
Posted by Tomilho at 18:48 1 comments Links to this post
25 de Jan de 2006

Summer house, Hardanger
Arquitectura de Todd Saunders & Tommie Wilhelmsen
Posted by Tomilho at 12:03 1 comments Links to this post
16 de Jan de 2006
10 de Jan de 2006

Darwin's Nihgtmare
Será difícil depois de ver O PESADELO DE DARWIN comer uma perca do Nilo sem que uma espinha nos pique… A partir da carne branca deste peixe pescado no lago Vitória, o realizador mostra o encadeamento dos "danos colaterais" provocados pela exploração intensiva de uma riqueza natural num país pobre, que poderia ser em África ou não. Hubert Sauper insiste: o filme também poderia ser sobre os diamantes da Serra Leoa ou o petróleo de Angola... Ele limitou-se a filmar numa cidade como existem várias, para conseguir um filme negro e surpreendente. Mwanza, 500 000 habitantes, margens do lago Vitória, na Tânzania. A perca do Nilo foi introduzida nos anos 60 e a indústria da pesca prosperou à volta deste peixe e toda a região ficou dependente. Dez fábricas exportam todos os dias filetes frescos, nomeadamente para a Europa.Poucos lucram com este comércio. E os aviões russos que transportam os peixes transportam igualmente armas para os países vizinhos, as prostitutas tratam dos pilotos russos, os camponeses deixam as suas terras para se instalarem nas margens do lago, a sida propaga-se, as crianças drogam-se com componentes das embalagens de peixe, e os habitantes comem poucas proteínas porque o peixe se tornou demasiado caro...
Posted by Tomilho at 11:45 0 comments Links to this post
5 de Jan de 2006
Sally's song
I sense there's something in the wind
That feels like tragedy's at hand
And though I'd like to stand by him
Can't shake this feeling that I have
The worst is just around the bend
And does he notice my feelings for him?
And will he see how much he means to me?
I think it's not to be
What will become of my dear friend?
Where will his actions lead us then?
Although I'd like to join the crowd
In their enthusiastic cloud
Try as I may, it doesn't last
And will we ever end up together?
No, I think not, it's never to become
For I am not the one
Posted by Tomilho at 12:07 2 comments Links to this post
19 de Dez de 2005
Como é que… entrar num túnel, descer as escadarias que levam a um comboio e fazer o percurso que milhares de pessoas fazem todos os dias pode dar… uma ideia luminosa? António Jorge Gonçalves teve-a. E foi uma ideia que conjugou trabalho com viagem e o levou a uma grande aventura subterrânea. O plano foi sendo construído aos poucos, durante um período de três anos de estudo em Londres. António Jorge Gonçalves, autor de banda desenhada e artista visual, estava a fazer um mestrado em desenho cenográfico para teatro. E decidiu tirar partido da rotina, desenhando pessoas no metropolitano de Londres. A regra era não poder escolher quem desenhava: era quem se sentasse à sua frente. Foi a partir dessa experiência inicial que a curiosidade aumentou. E concebeu um projecto de desenhar pessoas em metropolitanos de dez capitais mundiais. Ao longo de quatro anos, passou um mês em cada uma das cidades escolhidas: Londres, Lisboa, Berlim, Estocolmo, Nova Iorque, Atenas, Moscovo, São Paulo, Tóquio… e por último, o Cairo. Construiu geografias humanas em desenhos a partir de um banco de metro. O resultado desta experiência pode ser visto em http://www.subway-life.com/. E pode levar a um jogo curioso: tentar perceber se, através dos rostos e modos de vestir de cada pessoa, se consegue adivinhar o país de origem. Posted by Tomilho at 15:18 5 comments Links to this post
16 de Dez de 2005

Devil Got My Woman
I'd rather be the devil, to be that woman man
I'd rather be the devil, to be that woman man
Aw, nothin' but the devil, changed my baby's mind
Was nothin' but the devil, changed my baby's mind
I laid down last night, laid down last night
I laid down last night, tried to take my rest
My mind got to ramblin', like a wild geese
From the west, from the west
The woman I love, woman that I loved
Woman I loved, took her from my best friend
But he got lucky, stoled her back again
And he got lucky, stoled her back again
Skip James
Posted by Tomilho at 18:31 3 comments Links to this post
14 de Dez de 2005
13 de Dez de 2005
Já a luz se apagou do chão do mundo,
deixei de ser mortal a noite inteira;
ofensa grave a minha, que tentei
misturar-me aos duendes na floresta.
De máscara perfeita, e corpo ausente,
a todos enganei, e ninguém nunca
saberia que ainda permaneço
deste lado do tempo onde sou gente.
Não fora o gesto humano de querer-te
como quem, tendo sede, vê na água
o reflexo da mão que a oferece,
seria folha de árvore ou sério gnomo
absorto no silêncio de uma rima
onde a morte cessasse para sempre
Duende, pág. 38, António Franco Alexandre
Posted by Tomilho at 15:34 2 comments Links to this post
2 de Dez de 2005

Trees1997; Platinum/Palladium, Olaf Beckman
Untitled2001; ColorChrome, Andrew Arell
Fotos extraídas da plataforma de artistas "The Sight"
Posted by Tomilho at 16:09 2 comments Links to this post
21 de Nov de 2005

Excelente este Abandoned Places!
Praça via "The Amazing Trouts"!
Posted by Tomilho at 17:09 4 comments Links to this post
Zeca Medeiros canta "Torna Viagem" ao vivo no Onda Jazz, amanhã, terça-feira, 22 de Novembro, ás 22:30. Será servido um jantar "açoreano" antes do concerto que servirá para embalar o espírito no universo criativo do cantautor. Embora envolvido na música tradicional e popular desde os anos 70, José Medeiros, tornou-se mais conhecido pela realização de várias séries televisivas para as quais compôs canções, fortemente baseadas na tradição e cultura açoreanas, reflectindo a profundidade e a nostalgia dos sentimentos ilhéus. Destes trabalhos televisivos destacam-se "Xailes Negros", "Balada do Atlântico", "O Barco e o Sonho", "Mau Tempo no Canal", "O Feiticeiro do Vento. Como músico participou como autor e/ou intérprete em vários projectos discográficos, como por exemplo o CD "Caminhos" de Dulce Pontes e o CD "Alma" soa Ala dos Namorados em 1996, o CD "Encontros" de João Loio e o CD "Voz e Guitarras" de Vários artistas em 1997. O espectáculo musical terá como base os temas do seu último CD, "TORNA VIAGEM" e conta com os convidados Paulo Borges, Gil Alves, Luis Simões, Rui Freire, Rogerio Cardoso Pires, João Domingos (musicos que também integram o mítico "Côro dos Tribunais") Manuel Rocha Brigada Vitor Jara e Mariana Abrunheiro (Brigada Vitor Jara). Espera-se, portanto, uma noite plena em emoções fortes!
Posted by Tomilho at 16:37 3 comments Links to this post
17 de Nov de 2005
14 de Nov de 2005

The one and only Sherlock Holmes, Jeremy Brett.
Posted by Tomilho at 18:43 2 comments Links to this post
8 de Nov de 2005
A FÁBRICA DE NADA de Judith Herzberg
"Uma fábrica de cinzeiros fecha, e os trabalhadores, não querendo ficar desempregados, resolvem continuar a trabalhar numa nova produção: nada. À volta de nada organiza-se tudo, desde a escolha do gerente da fábrica, aos furtos dos produtos e aos tribunais, com muita música cantada e tocada a mostrar por que caminhos segue esta história.
Estes operários que preferem fazer nada a nada fazer inscrevem-se mais na linha do saber ver quando se vê do Alberto Caeiro e do fazer não fazendo do Lau Tsu, do que no preferia não o fazer do Bartleby. Em lugar da angústia do desaparecimento das coisas e dos seres que a palavra vazio sugere, o vazio que o patrão deixa ao fechar a fábrica permite o vazio do espaço côncavo em que tudo pode acontecer precisamente porque está vazio. Permite a boa projecção do som. E os músicos, atrás dos actores, seguem atentamente o que se vai passando com as vozes. Estes operários dizem-nos assim, a cantar: a fábrica fecha, não faz mal, nós continuamos na mesma, não nos vão ver aos molhos nos noticiários a protestar à porta da fábrica, nem vamos calados para casa perder a nossa dignidade no sofá. Não precisamos de mais nada do que estarmos uns com os outros porque força como esta só existe outra, que também temos: a música."
"A Fábrica de Nada" é um espectáculo de teatro musical dos Artistas Unidos e pode ser visto
Dia 7 (14h30) · Dias 8 e 9 (11h00 e 14h30) · Dia 10 (11h00) · Dia 12 (21h30) · Dia 13 (17h00)
no Grande Auditório da Culturgest em Lisboa · Duração 1h40 + informação
Posted by Tomilho at 18:53 1 comments Links to this post
7 de Nov de 2005

There's a side current here which is rarely looked at but which is also quite fascinating. That's the working class literature of the nineteenth century. They didn't read Adam Smith and Wilhelm von Humboldt, but they're saying the same things. Read journals put out by the people called the "factory girls of Lowell," young women in the factories, mechanics, and other working people who were running their own newspapers. It's the same kind of critique. There was a real battle fought by working people in England and the U.S. to defend themselves against what they called the degradation and oppression and violence of the industrial capitalist system, which was not only dehumanizing them but was even radically reducing their intellectual level. So, you go back to the mid-nineteenth century and these so-called "factory girls," young girls working in the Lowell [Massachusetts] mills, were reading serious contemporary literature. They recognized that the point of the system was to turn them into tools who would be manipulated, degraded, kicked around, and so on. And they fought against it bitterly for a long period. That's the history of the rise of capitalism.
The other part of the story is the development of corporations, which is an interesting story in itself. Adam Smith didn't say much about them, but he did criticize the early stages of them. Jefferson lived long enough to see the beginnings, and he was very strongly opposed to them. But the development of corporations really took place in the early twentieth century and very late in the nineteenth century. Originally, corporations existed as a public service. People would get together to build a bridge and they would be incorporated for that purpose by the state. They built the bridge and that's it. They were supposed to have a public interest function. Well into the 1870s, states were removing corporate charters. They were granted by the state. They didn't have any other authority. They were fictions. They were removing corporate charters because they weren't serving a public function. But then you get into the period of the trusts and various efforts to consolidate power that were beginning to be made in the late nineteenth century. It's interesting to look at the literature. The courts didn't really accept it. There were some hints about it. It wasn't until the early twentieth century that courts and lawyers designed a new socioeconomic system. It was never done by legislation. It was done mostly by courts and lawyers and the power they could exercise over individual states. New Jersey was the first state to offer corporations any right they wanted. Of course, all the capital in the country suddenly started to flow to New Jersey, for obvious reasons. Then the other states had to do the same thing just to defend themselves or be wiped out. It's kind of a small-scale globalization. Then the courts and the corporate lawyers came along and created a whole new body of doctrine which gave corporations authority and power that they never had before. If you look at the background of it, it's the same background that led to fascism and Bolshevism. A lot of it was supported by people called progressives, for these reasons: They said, individual rights are gone. We are in a period of corporatization of power, consolidation of power, centralization. That's supposed to be good if you're a progressive, like a Marxist-Leninist. Out of that same background came three major things: fascism, Bolshevism, and corporate tyranny. They all grew out of the same more or less Hegelian roots. It's fairly recent. We think of corporations as immutable, but they were designed. It was a conscious design which worked as Adam Smith said: the principal architects of policy consolidate state power and use it for their interests. It was certainly not popular will. It's basically court decisions and lawyers' decisions, which created a form of private tyranny which is now more massive in many ways than even state tyranny was. These are major parts of modern twentieth century history. The classical liberals would be horrified. They didn't even imagine this. But the smaller things that they saw, they were already horrified about. This would have totally scandalized Adam Smith or Jefferson or anyone like that (...)
Posted by Tomilho at 12:38 2 comments Links to this post
O ENSAIO 28
Há 93 anos, Franz Kafka começou a escrever América, um romance que nunca chegaria a acabar. Nele, um jovem rapaz mandado de castigo para o país das grandes oportunidades não hesitou entrar para um Teatro que aceitava todo aquele que ali quisesse trabalhar. A sua motivação nada tinha que ver com uma arte que, na realidade, até ignorava. Ele não hesitou porque era bem-vindo. E assim partiu para Oklahoma, para o desconhecido, para a utopia.
Há 23 anos, estreou no Municipal de Sabadell (Barcelona) o espectáculo El Gran Teatro Natural de Oklahoma, com dramaturgia e encenação de José Sanchis Sinisterra. O Teatro Fronterizo estava ainda no romper da sua actividade e o autor valenciano explorava o sentido de uma teatralidade ainda amarrada a estruturas dramatúrgicas há muito instaladas. A fronteira entre textualidade e teatralidade revelava-se o eixo de todas as suas propostas e destas incursões puderam nascer espectáculos que se constituíram mais tarde referência obrigatória na renovada dramaturgia ocidental. Ñaque, ou sobre piolhos e actores e Ay, Carmela!, são disso o melhor exemplo, apenas para citar os mais conhecidos.
Há cerca de 11 anos, assisti na Sala Novas Tendências Cénicas, na Comuna, à estreia de Ñaque, pelo Teatro Meridional, naquele que deverá ter sido um dos mais luminosos dias da minha vida de espectador.
Há mais ou menos 5 horas, terminei no novo Espaço da Mitra o ensaio 28 de O Grande Teatro de Oklahoma envolto na mais feliz de todas as condições: dançar à beira do abismo. No caso, estando a proposta original do espectáculo de J. Sanchis Sinisterra contrariada, para que se mantivesse fiel ao público de hoje, vai-se erguendo de dia para dia um espectáculo novo, com tudo o que a empresa arrasta consigo de angustiante ou excepcional. Esta versão cénica comprimiu ainda mais a dramaturgia inicial, não apenas através de sínteses no jogo da verbalidade, mas por intermédio de uma redução drástica da área de representação, agora um estrado de 4 x 4. Assim, abriu--se mais campo aos gestos, às acções e aos movimentos e aceleraram-se dinâmicas nas relações entre as personagens e entre estas e o público.
Também a ficcionalização dos próprios espectadores no discurso narrativo da peça (uma das marcas da proposta de 1982), caiu, dando assim possibilidade ao derrube da quarta parede, que estava dissimulada nesta opção. Actores e espectadores colocam--se frontalmente, olhos nos olhos, expondo o encontro à necessidade de se constituírem, de forma ainda mais derradeira, participantes activos de um encontro.
Não sei o que será do futuro, quando este texto estiver impresso e o espectáculo em cena. Danço à beira do abismo porque apenas tenho garantida uma viagem para o desconhecido. Porque o ensaio 28 trouxe pequenas dúvidas e raras certezas, olhos a brilhar e exasperações, sustos em silêncio ou admirações sobressaltadas.
Se a beira do abismo não fosse mesmo para dançar, de olhos fechados, de sorriso estampado, o que estaria a fazer aqui? Pela viagem impossível de K. ao Grande Teatro de Oklahoma, pelas explorações de J. Sanchis Sinisterra no seu Teatro Fronterizo e pelo magnífico Ñaque, ou sobre piolhos e actores do Teatro Meridional que me ensinou que os espectadores são a lua e os actores as crateras que, vistas daqui de baixo, lhe fazem um rosto humano.
Posted by Tomilho at 11:13 3 comments Links to this post
3 de Nov de 2005
Quanto é difícil julgar, como disse Camões, se foram flores que deram cor à bela aurora, ou se foi ela que deu cor às belas flores!
Quem analisará alguma vez a psicologia das plantas?
Só para responder à ansiosa e sempre fútil consulta dos enamorados, a alcachofra, que à beira dos caminhos ciosa esconde o florido capítulo numa couraça guerreira de brácteas, é capaz de reflorescer com mais brilho depois de queimada à labareda da fogueira de S. João.
Com imprevista sensibilidade, das flores do verbasco desprende-se a corola logo que colhemos a airosa espiga, ou a castigamos com uma pancada mais rude. A flor triste e despresada da roselha ou o sargaço, ou da nívea rosa brava, depois de colhida deixa cair, agonizante, as pétalas, e quando julgamos segurar entre os dedos, latejando, uma vida, temos nas mãos, lùgubremente, um cadáver.
Mas nem todas as plantas possuem a graciosidade que nos comove, a cor que nos encanta, a fragrância que nos enleva, ou se envolvem num mistério que nos intriga.
As gramíneas, por exemplo, só nos causam desapontamento. São seres recatados, que desprezam os recursos infinitos do baton e do rouge, que desdenham o perfume, e cuja vida sentimental parece reger-se por álgido puritanismo. Certas plantas, da tribu das Hordeas (o trigo, o centeio, a cevada), hirtas e orgulhosas como velhas misses, desprovidas de graça, tornariam a seara esteticamente insuportável se a Natureza, amante dos contrastes, não houvesse ali colocado a álacre papoila, a transbordar sensualidade e de vida, e que dir-se-ia uma gargalhada juvenil, irreverente e saudável de uma alegre camponesa num comício de sufragistas. E atrevo-me a supor que sem a presença das papoilas, ou até dos atrevidos pampilhos, jamais a seara ondearia a vento com a graça lânguida que é o segredo do mar.
Posted by Tomilho at 12:02 1 comments Links to this post
25 de Out de 2005
Posted by Tomilho at 11:17 1 comments Links to this post
24 de Out de 2005
Mélancolie : Génie et folie en Occident
Será a melancolia a doença sagrada do génio, ou simples loucura dos homens? 250 obras-primas do mundo inteiro testemunham o mistério numa exposição em Paris nas Galeries nationales du Grand Palais entre 13 Outubro a 16 de Janeiro. Boa oportunidade para uma escapadela outonal!
Posted by Tomilho at 12:06 2 comments Links to this post
18 de Out de 2005

Sonatas barrocas a 4 pelo Ensemble Zefiro, sábado 22 de Outubro, 16:30, no Festival de Mafra , e às 18:30 "Bestiaire d'Amour" no tempo dos trouvères pela Diabolus in Musica - "FA CONTRA SI EST DIABOLUS IN MUSICA” -
Posted by Tomilho at 15:39 0 comments Links to this post
17 de Out de 2005
Posted by Tomilho at 17:27 1 comments Links to this post
14 de Out de 2005
A "Sopa de Arroios"
O Largo de Arroios - escuso dizer-to - era um arrabalde de Lisboa ainda há cento e cinquenta anos. Ameno, sussurrante de hortas verdejantes, como o seu nome indica, salpicado de casas e de alguns palácios seiscentistas - continuação mais pura de Santa Bárbara - Arroios, por cuja estrada se fazia a saída de Lisboa para Sacavém, tem também o seu pedaço de história fugaz a ilustrá-lo.
No comêço do século passado, a quando das invasões francesas, Lisboa foi refúgio das gentes vindas das regiões taladas pelas botifarras dos soldados de Junot, Soult e Massena. Mais de 50.000 pessoas - calculam alguns historiadores - estavam recolhidas em Lisboa na época da útima invasão. Para acudir a êsses indigentes, o Senado da Camara - e com que sincero respeito se pronuncia sempre êste dísitico "Senado da Câmara"! - fazia distribuir refeições diárias: era aqui um dos locais esolhidos. Eis o sítio da "Sopa de Arroios" - o sítio do Cruzeiro de Arroios.
Em "Peregrinações de Lisboa", Norberto Araújo. Figura: "A Sopa de Arroios", Domingos António Sequeira, Museu Nacional de Arte Antiga
Posted by Tomilho at 17:19 0 comments Links to this post
12 de Out de 2005

O Sistema de Informação Técnica e Científica para o Património Arquitectónico, abreviadamente designado por Inventário do Património Arquitectónico - IPA, compreende imóveis, conjuntos urbanos, sítios e paisagens culturais, num total de 20 073 registos, dos quais 8414 estão disponíveis na Internet.
O Sistema é constituído por dados textuais e iconográficos compreendendo 230 000 desenhos técnicos e cartografia e 300 000 fotografias em formato digital.
Posted by Tomilho at 17:12 3 comments Links to this post
10 de Out de 2005
6 de Out de 2005
8 de Jul de 2005
Férias d'Alcofa : percursos
Parque Nacional de Aigüestortes 
Vale de Ordesa
Encontros de Saint-Chartier
Vale do Dordogne
Doñana
Costa do Rif, Marrocos
Posted by Tomilho at 16:16 3 comments Links to this post
4 de Jul de 2005

Le Chantier, installé au coeur de la Provence Verte (Var) depuis 2002, est un site pilote en matière de création des nouvelles musiques traditionnelles.
Le Chantier s'est créé sur la base du projet artistique du poly-instrumentiste Miquèu Montanaro, musicien inscrit dans la tradition provençale et dans les formes musicales les plus contemporaines qui organise depuis de nombreuses années des échanges musicaux entre les différentes cultures, notamment du monde méditerranéen.
Posted by Tomilho at 14:52 1 comments Links to this post
30 de Jun de 2005
Galandum Galundaina
É mais que música portuguesa. É a futura raiz de um povo. Bordem a oiro este nome na vossa memória fixa. [...] O que valia a pena era inventar um país para esta música. Deitar quase tudo fora e começar de novo - ao som dos Galandum.
João Bonifácio - suplemento Y, Público, 15 de Abril de 2005
Terras de Miranda, 1 a 4 de Agosto de 2005
Descobrir as Terras de Miranda, por aldeias, caminhos e estradas mouriscas, de Burro ao som da gaita.
Posted by Tomilho at 15:08 1 comments Links to this post
23 de Jun de 2005
O meu pai tinha uma loja em Irará, onde se atendia o homem do campo - e assim eu pude-me embrenhar, muito mais que todos os outros, no intestino, no âmago do Nordeste. Para essa gente, aquela loja era uma janela para o mundo: eles puxavam conversa só para nos ouvir falar. E o nordestino não só tem uma língua muito bonita, completamente diferente, como tem muito do que falar, porque é cientista por natureza. Eu aprendi aquela nova língua, com uma regência por ideogramas, onde para falar «vermelho» eles diziam «é como bonina, é como o pico do cardeal», é como não sei o quê, enumerando uma série de coisas bem vermelhas para identificar o vermelho. Fiquei encantado com aquilo, com aquele homem bruto e ao mesmo tempo elegantíssimo, fino e ao mesmo tempo com as mãos calosas, analfabeto e ao mesmo tempo muito culto. Ele despertou em mim uma intelectualidade que eu não sabia que existia.

Eu podia mostrar duas gavetas que tenho aqui, cheias de fitas-cassete. Essa gaveta é uma espécie de linha de montagem. A partir de certo momento, eu comecei... Foi assim: eu tinha uma bateria de samba, em ritmo meio lento ou mais rápido. E sentava para compor: botava a bateria de samba, pegava a quinta e a sexta cordas do violão e tentava uma pequena frase, um ostinato [motivo de base, que se repete sempre]. Quando ficava gostoso – depois eu percebia –, é porque modificava ligeiramente a batida de samba. Dava alguma coisa diferente; um molho tão gostoso que eu não podia mais abandonar. Tento fazer assim com os cavaquinhos, um contraponto muito rígido, no sentido rítmico. O baixo é francamente tonal; embora estabeleça também uma escravidão: um acorde só. Em cima dele, tento fazer uma coisa exigente ritmicamente. Quando isso começa a satisfazer... é uma coisa da vida: dá prazer. Dá prazer. E quando tenho uma seqüência enorme de coisas dessas – de vez em quando volto a elas, trabalho um pouquinho e tal – fica sendo uma linha de montagem.Um belo dia, quando o negócio já está muito gostoso eu tiro [da gaveta], para tentar fazer uma música com aquilo. É assim.
Quando escolho de que tratará a letra, aí já se trata de outra tarefa completamente diferente: vou polir, repolir, ajustar os contornos, aplainar as angulosidades até que fique razoável. Digo razoável, porque bom nunca ficará.
entrevista ao Jornal " O Povo", Ceará.
Mais entrevistas e outro material em http://www.tomze.com.br
Sobre "Estudando o Pagode..." : Entre caricato e sarcástico, mas sempre tropicalista, fiel à experimentação, ele propõe no encarte a ''harmonia induzida''. Ocorre quando ''o acompanhamento fica parado na tônica e o cantor com a cumplicidade do ouvinte canta o tempo todo 'corrigindo' a harmonia''. A idéia deste experimentador compulsivo é ''tentar um canto popular com mais de um centro de referência tonal, um jogo de simultaneidades como aquele que a gente já vê em histórias em quadrinhos, filmes e outros brinquedos''. Embora tudo isso pouco tenha a ver com o pagode do fundo de quintal. E, obviamente, ainda menos com a contrafação sambrega.

Posted by Tomilho at 11:42 1 comments Links to this post
21 de Jun de 2005

Após dois anos de trabalho, Chuchurumel edita o seu primeiro disco, no castelo de Chuchurumel, que apresenta temas da tradição popular portuguesa (nomeadamente do distrito da Guarda) e composições originais. Alguns dos temas gravados no castelo de Chuchurumel foram recolhidos por José Franco e publicados na revista “Altitude”, nos inícios da década de 40 do século passado: Canção da Ceifa (Gonçalo, Guarda); Aninhas (Sobral da Serra, Guarda); Cantilena de pedreiro (Barreira, Mêda); outros remetem para universos sonoros marcantes (os bombos da festa dos Montes, Trancoso), para a voz única de algumas informantes (Júlia Fonseca e Maria Augusta Moleira) ou para relatos singulares (relato de Lúcia Jorge a propósito dos trabalhos do linho).

Posted by Tomilho at 15:57 1 comments Links to this post





























































